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Mais armas ou mais paz?


Jorginho Mello Gov. SC

Por ADRIANO LUIZ DUARTE*

No dia 5 de abril, todos ficamos chocados com o assassinato de quatro crianças (e o ferimento em mais cinco) em uma creche de Blumenau. A solução de problemas complexos exige reflexão, calma e coragem. Mas o que temos visto em Santa Catarina são respostas simplórias, que atendem à demanda imediata de respostas ligeiras. Em primeiro lugar, o governador Jorginho Melo, aliado de primeira hora do principal responsável por incrementar a política de ódio no país, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma entrevista a uma rede de televisão disse: “está faltando amor”, “está faltando deus”. Propôs aumentar os muros das escolas e oferecer aulas de primeiros socorros e defesa pessoal para professores e professoras. É preciso lembrar que dias antes do brutal ataque à creche o governador recebeu em seu gabinete o representante do lobby das armas Marcos Pollon, que aliás ele sempre estimulou e incentivou. A deputada do seu partido, o PL, Caroline de Toni, no próprio dia 5 de abril, propôs que se armasse os professores e professoras. Em uma resposta como sempre tosca e superficial para problemas da maior gravidade. É lamentável, mas não é difícil supor que nenhuma dessas medidas sairá do papel e, se sair, não terá qualquer efeito prático. As propostas apresentadas pelo governador Jorginho Melo são, para dizer o mínimo, inócuas, são populistas, pífias, para inglês ver, mas podem produzir uma falsa ideia de que o governo está atento e atuando para solucionar esse grave problema do crescimento da violência, sobretudo nas escolas. Enquanto isso, do lado de cá, aqueles que têm dois neurônios rezamos para que alguma luz ilumine esse governo estadual.

Por outro lado, o Governo Lula através do seu ministro da justiça Flávio Dino, anunciou cinco medidas imediatas:

1) O Governo Federal repassará, inicialmente, R$ 150 milhões em recursos aos estados e municípios, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), como forma de fortalecer o trabalho (DE) e incremento às rondas escolares.

2) Ao mesmo tempo, o governo federal anunciou que antecipará a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial para dar agilidade às ações de combate à violência nas escolas, um grupo de estudos que deverá formular propostas concretas.

3) O governo quintuplicou o número de policiais federais que fazem o monitoramento das redes sociais, no que se refere a postagens virtuais que pregam o ódio e que, infelizmente, estão se alastrando.

4) Criou o Escola Segura, um canal de denúncias

5) Talvez o mais importante seja a determinação para que Polícia Federal passe a investigar as células nazistas espalhadas pelo país, colocando pressão nas plataformas digitais para que retirem conteúdos de incentivo à violência nas escolas. Ao mesmo tempo os porta-vozes do governo federal deixaram claro que essas medidas eram emergenciais.

Como se vê as respostas são diametralmente opostas, porque o Governo Lula propõe desarmar a população, aumentar o controle sobre as armas, aprofundar a inteligência dos órgãos de investigação e, mais importante de tudo, desenvolver uma política da paz. A reversão da política de ódio será lenta, mas ela deve começar pela redução do acesso a armas. Mas nenhum muro alto, nem professores faixa-preta serão capazes de conter essa onda. Ela começa pelo restabelecimento de uma cultura da paz, de respeito às diferenças e pela compreensão de que a política é feita negociando as diferenças, não eliminando os diferentes.

*Adriano Luiz Duarte é professor de história na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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