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Mapa do Feminicídio em SC

O "Mapa do Feminicídio" é uma iniciativa inédita do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que visa sistematizar e analisar as mortes violentas de mulheres por razões de gênero no estado entre 2020 e 2024.

A pesquisa analisou 502 procedimentos investigatórios (inquéritos, flagrantes), classificando 335 casos como feminicídios.


O HUMANIZA SANTA CATARINA publica um resumo do relatório de mais de 130 páginas elaborado pelo MPSC.

Ao final deste resumo você encontra a íntegra para ler/baixar em PDF

O feminicídio não é um destino, mas o ápice de um processo de violência que pode ser interrompido. O conhecimento gerado por este Mapa visa transformar a dor em ação para que "nenhuma ausência a mais seja inscrita na história".

Panorama Geral e Magnitude

No período, 66,4% das Mortes Violentas Intencionais de Mulheres (MVI) foram classificadas como feminicídios. Em números absolutos, isso representa 2 em cada 3 mulheres assassinadas no estado.


A taxa média de feminicídio em Santa Catarina (1,71 por 100 mil mulheres) supera a média nacional (1,4) , contrariando a percepção histórica de baixa violência no estado.


A tipologia predominante é o feminicídio íntimo (71%) , cometido por companheiros, cônjuges ou ex-parceiros, confirmando que a violência letal se concentra nas relações afetivo-conjugais.


Perfil das Vítimas, dos Autores e Dinâmica do Crime


Perfil das Vítimas:

Identidade e Raça: 99,1% são mulheres cisgênero. Embora a maioria seja branca (77,9%), há sobrerrepresentação de indígenas (1,49% vs. 0,12% da população) e de mulheres pretas (6,5% vs. 4,1% da população), indicando seletividade racial.


Idade: 79,7% tinham entre 12 e 49 anos, com picos de incidência entre 18-24 anos (início da vida adulta) e 35-39 anos (estabilização de vínculos). Mulheres idosas (60+) representam 5,6% das vítimas, com violência muitas vezes silenciosa.


Socioeconomia: A letalidade é altamente seletiva: 84,4% das vítimas tinham baixa renda (Classes D/E) . A maioria (71,5%) não possuía vínculo formal de trabalho (autônomas informais, desempregadas, do lar). 56,9% não concluíram o ensino básico.


Maternidade e Histórico: 65,6% eram mães; 68,9% tinham histórico prévio de violência; mas apenas 19,7% possuíam medida protetiva, evidenciando que a maioria dos feminicídios ocorre fora do alcance do sistema de justiça.


Perfil dos Autores:


Gênero e Raça: 94,6% são homens cisgêneros e 93,7% heterossexuais. Observa-se sobrerrepresentação de autores pardos e pretos em relação à sua participação populacional.


Idade e Comportamento: 64,4% estão na faixa dos 25 aos 44 anos. O término da relação é o principal catalisador (45,8% dos casos íntimos). Na terceira idade, a arma de fogo é mais utilizada (46,1%).


Socioeconomia e Antecedentes: 83,7% têm baixa renda, 67,3% não concluíram a educação básica e 72,6% possuem antecedentes criminais (44,5% por violência doméstica). O suicídio do autor ocorreu em 13,4% dos casos, funcionando como um "domínio extremo" que evita a responsabilização.


Dinâmica do Crime:

Local e Temporalidade: A violência é privatizada: 76,4% dos crimes ocorreram na residência da vítima (chegando a 90,9% em 2024). Finais de semana e o período noturno/madrugada (56,4%) concentram os maiores riscos, assim como o último trimestre do ano (28,9%).

Meios Utilizados: Diferente da criminalidade geral, predominam armas brancas (47,7%) , seguidas por armas de fogo (22,9%) e asfixia (16,4%), indicando o uso de "armas de oportunidade" no ambiente doméstico.



Territorialização da Violência

A distribuição absoluta de casos concentra-se nos grandes centros (Joinville, Florianópolis, Blumenau). Contudo, a análise proporcional (taxa por 100 mil mulheres) revela um processo de interiorização do risco.


As maiores taxas médias estão nas regiões intermediárias de Caçador (2,75), Lages (2,56) e Chapecó (2,55) , superando a média estadual.


Foram identificados três clusters territoriais de alto risco: Oeste catarinense (Chapecó, Xanxerê), Planalto Serrano – Meio Oeste (Lages, Caçador) e Extremo Sul (Araranguá).


É necessário um olhar atento. Muito além de apenas números frios, este relatório representa uma estrutura de sociedade machista e misógina que precisa se encarada e domada desde a infância.


Autoridades de Santa Catarina dizem, frequentemente, que somos o estado mais seguro do Brasil. Seguro para quem?


Baixe aqui o relatório integral


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