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Tráfico Internacional de Mulheres em SC

Tráfico internacional de mulheres em Santa Catarina:

PF faz operação em São Francisco do Sul

Por: Diego Feijó de Abreu*


Operação Alerta Vermelho cumpriu buscas em três endereços de São Francisco do Sul após denúncia de uma mulher paraguaia que diz ter sido aliciada com falsa promessa de emprego.


A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (20) uma operação contra o tráfico internacional de mulheres em Santa Catarina, com buscas em três endereços de São Francisco do Sul, no norte do estado. Segundo a corporação, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em dois estabelecimentos noturnos contíguos e a residência dos investigados.


De acordo com a nota oficial da Polícia Federal, foram apreendidos celulares, o sistema de videomonitoramento (CFTV) e documentos. O material será submetido à perícia para esclarecer os fatos investigados, confirmar a existência de crimes relacionados, identificar a cadeia operacional do esquema e localizar possíveis novas vítimas.


Denúncia partiu de mulher paraguaia

As diligências começaram após uma mulher paraguaia procurar as autoridades e relatar que teria sido aliciada pela internet, em seu país de origem, sob falsa promessa de emprego como garçonete em um bar de São Francisco do Sul. Segundo a PF, a vítima afirmou ter sido trazida ao Brasil em um caminhão e levada diretamente para um estabelecimento noturno.


No relato prestado à investigação, a mulher diz que teve os documentos retidos pelos proprietários do local e que foi submetida a agressões físicas e psicológicas, restrição de liberdade e exploração sexual. Ela também afirmou que foi obrigada a usar drogas e que não recebeu remuneração no período em que permaneceu no estabelecimento.


Ainda segundo a versão apresentada à Polícia Federal, a vítima era mantida sob vigilância constante e só conseguiu deixar o local após fugir e ser socorrida por vizinhos, em outubro do ano passado. Foi a partir desse depoimento que a investigação avançou até a operação realizada nesta sexta-feira.


"Quantas vezes já foi dito que "SC é um laboratório da extrema-direita"??
É muito mais que um mero laboratório, não estão só experimentando,
estão executando as práticas, os crimes correlatos à ideologia nazifascista:
machista, misógina, racista, homofóbica, armamentista,
violenta contra os humanos, os animais, o meio ambiente...
Quando aparece uma notícia como essa de tráfico de mulheres para
exploração em SC, infelizmente registramos: SC de novo!
O terreno catarinense está fertilizado para as práticas da extrema direita!"
Ideli Salvatti, ex Ministra dos Direitos Humanos

Casal investigado já tinha antecedentes, diz PF


A PF informou que os principais alvos da apuração são um casal com passagens por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Até a publicação desta matéria, a corporação não havia divulgado os nomes dos investigados nem informado se houve prisões no curso da operação.


Além das buscas, a Justiça determinou a proibição de contato dos investigados com a vítima e com testemunhas. A investigação segue a partir da análise do material apreendido.


O que diz a legislação

O tipo penal de tráfico de pessoas, previsto no artigo 149-A do Código Penal, inserido pela Lei 13.344/2016, abrange condutas como agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração sexual. O governo federal também mantém o IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, em vigor desde 2024.


Na cobertura recente da Fórum, a atuação da PF em casos ligados a tráfico de pessoas e exploração sexual apareceu em episódios como a operação contra um grupo que aliciava famílias afegãs em São Paulo e em ações de enfrentamento ao turismo sexual. Relembre este caso e esta outra frente de atuação.



Diego Feijó de Abreu
Diego Feijó de Abreu

* Diego Feijó de Abreu: jornalista investigativo especializado em jornalismo de dados e auditoria de gastos públicos. Com foco em transparência governamental e política, é autor de investigações de repercussão nacional sobre abuso de poder econômico e desinformação digital. Além de repórter na Revista Fórum, já escreveu investigações em outros veículos, e é instrutor de auditoria cidadã.

Focos de cobertura: Política Nacional, Gastos Públicos, Desinformação, saúde e tecnologia.

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