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GENOCÍDIO PALESTINO

Para entender a guerra – Por Derci Pasqualotto


Imagem: IVN Network

Existem diferentes formas de entender ou querer explicar por que esta guerra absurda e genocida do Governo de Israel contra os palestinos está acontecendo. Não dá para negar que foi o Hamas que fez a última provocação que a desencadeou. Sua agressão aos habitantes civis de Israel, matando e sequestrando, através de seus cinco braços armados, no dia 7 de outubro não sustentam justificativas ou defesa.

Existem outros grupos como o Hamas no Oriente Médio: Fatah, Jihad Islâmica e Hezbollah e outros, que o ocidente os define como grupos terroristas. Eles, no entanto, se entendem e agem como movimentos de libertação e defesa do povo palestino/árabe contra os ataques sistemáticos do Governo de Israel. A própria ONU assim os entende. Para entender esta guerra genocida precisamos sair do pequeno espaço geográfico que israelenses e palestinos dividem. Precisamos entender a dinâmica de submissão que o ocidente quer imprimir ao povo árabe islâmico no Oriente Médio. Nos últimos 50 anos os EUA, com a participação de vários países da União Europeia, travaram 13 guerras ao redor do mundo. Destas, 8 contra a população árabe/muçulmana do Oriente Médio, África e Ásia: – 1982 – Contra o Líbano – Hezbollah. – 1990 – Guerra do Golfo – por ocasião da invasão do Iraque ao Kuwait. – 1992 – Contra Somália – (país da África, com população árabe/muçulmana) – 2001 – Contra o Afeganistão – (país da Ásia, com população muçulmana) que durou até agosto de 2021; – 2003 – Contra o Iraque a partir da fabricação e divulgação de mentiras contra Saddam Hussein que estaria fabricando e escondendo armas de destruição em massa ; – 2010 – Iêmen – Guerra dos Houthis. – 2011 – Invasão da Libia – destituição e morte do Gaddafi. – 2014 – Síria – Contra Estado Islâmico.

Domínio Econômico e Político

OS EUA para assegurar seu domínio econômico e político sobre o planeta, notadamente em regiões que são fonte de recursos naturais (Petróleo, principalmente), tem 865 bases militares, sendo que 130 localizadas em outros países, com mais de 350 mil soldados nelas estacionados, conforme informações do Pentágono. Destas, 7 estão no Oriente Médio: Emirados Árabes, Omã, Iêmen, Catar, Kuwait e Bahrain, com mais de 20 mil soldados.

Atualmente, os EUA têm operações militares em 4 países do Oriente Médio: Iraque, Síria, Iêmen e Líbia. Mantem forte aliança e apoia incondicionalmente Israel, maior inimigo do povo árabe, notadamente os palestinos. Israel e os EUA jamais reconheceram o direito de os palestinos terem seu próprio estado, conforme determina a resolução da ONU que cria o estado de Israel. A relação Israel versus palestinos (árabes) sempre foi tensa e recheada de conflitos.

A população do Oriente Médio sempre enfrentou problemas e conflitos com a civilização do ocidente pela sua orientação islâmica. Ela se ampliou com a presença dos EUA em seus territórios através das intervenções militares. Praticadas para destituir os governos destes países, impondo regimes contrários a sua cultura política; destruindo a infraestrutura produtiva, educacional, de atendimento à saúde; matando milhares de civis; expulsando milhões de pessoas, que hoje, ainda, vivem em Campos de Refugiados; menosprezando e/ou desfazendo de suas crenças religiosas; matando as lideranças políticas contrárias as intervenções e das organizações não políticas que se opunham; deixando um legado de divisão interna ou de guerra civil e, quase sempre, roubando-lhe as riquezas ou submetendo sua produção e riquezas aos seus interesses econômicos.

Esta é a verdadeira causa que alimenta e faz crescer o ódio dos povos árabes contra os EUA e Israel. EUA pela intervenção e permanência em seus países ou região através das bases militares que os mantem reféns. A interferência americana na região torna mais intenso o ódio contra Israel pela ajuda econômica e militar que este recebe dos EUA.

Conflito Permanente

A parceria Israel/EUA/UE permite que Israel mantenha um permanente conflito com os palestinos (e povos árabe da região) ocupando suas terras, não reconhecendo seu direito de ter seu estado e constantes incursões atacando e matando civis e destruindo suas condições de vida. Israel, com apoio dos EUA e da União Europeia, na presente guerra e em todas as que desencadeou contra os palestinos não observam as regras internacionais e nem as resoluções da ONU.

Condenam o Hamas, pelas mortes e sequestro dos israelenses, como terrorista e querem a sua destruição total. No entanto Netanyahu – chefe do governo de Israel – com a aprovação e apoio dos EUA e da UE – pratica um verdadeiro genocídio e limpeza étnica contra os palestinos sem nenhuma contestação por parte do ocidente. Com o agravante de afirmar que Israel tem o direito de matar indiscriminadamente civis, crianças, destruir a Faixa de Gaza, sua estrutura de atendimento de saúde e impondo um total cerco impedindo a entrada de comida, água, remédios e outros elementos de primeira necessidade, para se vingar do Hamas.

Daí o motivo do ódio acerbado, mas justo, dos islâmicos contra o Governo de Israel. No entanto, o ocidente não fala do ódio praticado pelo atual governo do estado de israel.

Necessário dizer que o povo israelense, na sua grande maioria, não concorda com o que seu governo fez e faz com o povo palestino. Tanto palestinos e a maioria dos israelenses são vítimas do mesmo ódio gerado pela geopolítica da dominação para defender os interesses dos países dominantes, sobretudo EUA e da UE.

“A Europa vai pagar caro (…)”

A ministra de Direitos Sociais da Espanha – Ione Belarra – chamou de genocídio e limpeza étnica o que está acontecendo da Faixa de Gaza pelo Governo de Israel com o apoio e participação dos EUA e da UE. Fez uma crítica contundente à submissão da União Europeia aos EUA: “A Europa vai pagar caro por esta hipocrisia de pregar direitos humanos no mundo todo e, depois, quando você tem que defendê-los, quando você tem que viver de acordo com eles, não fazer absolutamente nada. A população está estupefata vendo como a União Europeia se submete aos interesses dos EUA e de Israel” (1)

Defendeu ainda: suspender as relações diplomáticas com Israel; aplicar sanções econômicas contra Netanyahu e toda a cúpula do governo; fazer embargo de armas e levar Netanyahu ao Tribunal Penal Internacional para ser julgado como criminoso de guerra. E concluiu: “Não queremos ser cúmplices deste genocídio”.

Ministro Paulo Pimenta vai na mesma toada: “Quem cala diante do genocídio em Gaza é cúmplice. Nada, nada justifica a morte de crianças e civis inocentes. Não podemos silenciar. Condenamos os atos terroristas e os sequestros, nada determina o genocídio de palestinos. É preciso um cessar fogo imediato e um corredor humanitário” (2).

Lula, dia 25/10, afirmou: “É muito grave o que está acontecendo neste momento no Oriente Médio. (…) O problema é o seguinte: não é uma guerra, é um genocídio que já matou quase duas mil crianças que não tem nada a ver com esta guerra, que são vítimas dessa guerra. Sinceramente, não sei como um ser humano é capaz de guerrear sabendo que o resultado desta guerra é a morte de criança inocente” (3).

Florianópolis, 31 outubro 2023


Derci Pasqualotto

Derci Pasqualotto – Filósofo, Sociólogo e Educador Popular


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