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Exibição do documentário “Anauê” pauta debate sobre intolerância em Santa Catarina

Evento realizado no auditório da Faed, na Udesc, faz parte da programação do Movimento Humaniza SC

A exibição do documentário “Anauê! O Integralismo e o nazismo na região de Blumenau”, de Zeca Pires, na noite desta terça-feira, dia 6, no auditório da Faed, na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), pautou um debate sobre a intolerância em SC, como ela se relaciona com o passado, reflete no presente e alerta sobre o futuro. O evento fez parte da programação do mês de dezembro do Movimento Humaniza Santa Catarina.

Celso Carminati, diretor-geral da Faed/Udesc, abriu as atividades afirmando que “nosso centro de ensino é antifascista” e agradeceu a todos e todas que ajudam a construir as universidades públicas brasileiras a partir de uma perspectiva de resistência.

Na sequência, para o auditório cheio e também para quem acompanhava o evento ao vivo pelo canal da Apufsc no YouTube, foi exibido o documentário. “Anauê” pode ser assistido na íntegra aqui. O trabalho de Zeca Pires fala sobre nazismo e integralismo na região de Blumenau, apresentando dados e pontos de vista diversos e impactantes sobre o assunto. Como resumiu um dos entevistados no documentário, com o integralismo, “era possível ser um bom brasileiro, nacionalista, e amar a Alemanha nazista”.

Após a exibição, um dos coordenadores do Movimento Humaniza SC, o advogado Prudente Mello, saudou o trabalho de Zeca Pires e comentou sobre o quanto a obra, lançada em 2015 e que narra fatos ocorridos na década de 1930, dialoga com o momento atual. “Nos remete a esse momento de ataques a vereadoras, células neonazistas na UFSC, de tanta intolerância que vivemos no Brasil”, disse Prudente, que convidou aos presentes a “superar a intolerância com ações”, especialmente nas áreas da educação e da cultura.

Na sequência, teve início o debate, aberto por Zeca Pires e com a participação de Maria de Lourdes Borges e Ricardo Ribeiro, presencialmente, e Marlene de Fáveri, online. Zeca falou dos questionamentos que o levaram a fazer o documentário e alertou: “essa exibição é uma maneira de estimular a discussão no momento em que a intolerância cresce ao redor do mundo. O alerta está na nossa cara”.

Marlene de Fáveri, doutora em História pela UFSC e professora aposentada da Udesc, que estudou profundamente sobre a Segunda Guerra Mundial e foi fonte do documentário, falou de sua relação com esse tema desde a infância, de sua pesquisa na área e sobre as conexões entre passado e presente. “Nós vivemos um momento em que os ovos da serpente abriram, estão abrindo e continuam sendo chocados”, chamou atenção.

Marlene acrescentou que “tematizar o neofascismo nesse momento histórico é imprescindível, porque pasamos muito tempo achando que era uma marola, e não é”.

A professora concordou com a fala de Prudente e defendeu que a educação é o caminho para reverter esse cenário: “ninguém nasce nazista”.

Na sequência, a professora da UFSC Maria de Lourdes Borges, que tem mestrado e doutorado em Filosofia, falou sobre a banalidade do mal e os contextos históricos e sociais que propiciam a escalada da intolerância. “Esse filme é estranho no sentido de que é visionário, por prever coisas”, refletiu. “Ele teve a visão de que esses ovos da serpente ainda estavam ali”. A professora ainda comentou:

“Esse é um filme que não fala só de passado. Fala de presente e nos previne sobre o futuro”.

O último a falar foi Ricardo Ribeiro, fotógrafo e documentarista baseado em São Paulo, que atualmente realiza o documentário “Norte Sul Esquerda Direita”, filmado e fotografado entre 2019 e 2022 em Santa Catarina e no Piauí. Ele avaliou também esse cenário de intolerância que se espalha pelo Brasil.

O evento foi realizado pela Apufsc-Sindical, pela Associação dos Professores da Udesc (Aprudesc) e Sindicato dos Técnicos da Universidade do Estado de Santa Catarina (Sintudesc), com apoio do Sindicato de Trabalhadores em Educação das Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado de Santa Catarina (Sintufsc).

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